sábado, 24 de maio de 2014

Saúde e Qualidade de Vida no trabalho

Este texto foi escrito como atividade virtual da disciplina EAD de Saúde e Qualidade de Vida, do curso de Engenharia Química da UNIFACS.

Decidi por me inscrever no curso de Engenharia Química, mesmo após mais de dez anos de formada em química e com vários cursos de especialização, para me manter atualizada. Estou adorando!

A disciplina, Saúde e Qualidade de Vida, faz parte da grade obrigatória da Universidade e aborda temas muito familiares aos Higienistas. São discutidas as questões de Saúde e bem estar no ambiente de trabalho e a eterna busca do equilíbrio entre os anseios profissionais e os papéis sociais dos indivíduos. Segue o trabalho na íntegra. Reabri a enquete e gostaria de conhecer a opinião de vocês (Pesquisa eletrônica - Saúde e Qualidade de vida na indústria).

Atividade Virtual:
Realização de enquete virtual envolvendo profissionais da Indústria Química e Petroquímica, envolvendo conceitos de Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho.

Objetivo:
Produzir uma pesquisa sobre Saúde e Qualidade de Vida mostrando o conteúdo da disciplina e abordando aspectos importantes, bem como associando as questões de saúde e qualidade de vida não só ao aspecto profissional, mas às demais questões atinentes à rotina de vida do trabalhador, relacionando a teoria à prática.

Introdução Teórica

Os conceitos de Saúde e Qualidade de Vida ainda são entendidos de maneira difusa pela Sociedade em geral. Cada indivíduo percebe esses conceitos de maneira diferenciada de acordo com suas próprias referências, tais como: educação, classe social e religião.

Para muitas pessoas, Saúde significa ausência de doenças. Porém, definições mais modernas, como as da Organização Mundial da Saúde (OMS), descrevem a Saúde como sendo o perfeito equilíbrio entre o bem-estar físico, mental e social (Mussi, 2014).

Se o conceito de Saúde é difuso, mais ainda é o de Qualidade de Vida. Este é bastante subjetivo e depende quase que totalmente das referências de cada indivíduo. Poderíamos traçar um paralelo desse conceito com a Pirâmide de Maslow (Wikipedia, 2012). Segundo este teórico, o nível máximo de realização pessoal só é possível de ser alcançado após o atendimento de todas as necessidades básicas biológicas, individuais e sociais.

Seguindo esta linha de raciocínio, podemos inferir que uma pessoa sem teto e desempregada desejaria um emprego e um teto para melhorar sua qualidade de vida. Entretanto, esses desejos se tornam mais sofisticados, conforme outras necessidades são atendidas, o que só é possível por ascensão social.

Obviamente, para um executivo bem sucedido um teto e um emprego não são mais suficientes para sua satisfação pessoal. Ele haverá de se realizar fazendo caridade, ou viajando pelo mundo, ou se retirando para o Tibet.

Atualmente, um tema que está muito em voga é a realização de atividades físicas. Gostando ou não, as pessoas “precisam” ser atletas para afirmar que estão cuidando da sua Qualidade de Vida. Com isso, novas necessidades são inseridas na pirâmide de Maslow. O indivíduo precisa ter um personal trainner (Moraes, 2011), pois sem ele não conseguirá alcançar seus objetivos no esporte. Aliado a isso, é imprescindível ter um nutricionista. E como  este mesmo indivíduo ainda precisa dar conta do trabalho e da família, sendo um profissional brilhante e um pai/mãe/marido/esposa/filho(a) exemplar, ele sem dúvida precisará também de um psicólogo para curar sua frustração, já que é humanamente impossível ser tão bom em tanta coisa simultaneamente.

Essas novas necessidades tem trazido muitos benefícios a saúde das pessoas – uma vez que é comprovada a eficácia das atividades físicas e da alimentação adequada na promoção da saúde. Ajudam também no desenvolvimento da economia, criando novos mercados e fazendo o dinheiro circular.

Para poder pagar por essa qualidade de vida toda, o indivíduo precisa trabalhar duro. E como fica a Qualidade de Vida no ambiente de trabalho? Como o trabalho interfere na realização do ser humano. O ambiente laboral interfere em seu bem estar? As empresas oferecem algum tipo de benefício que contribui para uma melhor qualidade de vida? Se fazem algo, será que é suficiente?

Um estudo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2012) afirma que “A conciliação entre o trabalho e a vida pessoal e familiar está intrinsecamente relacionada ao conceito de Trabalho Decente.” Ou seja, não é mais possível dissociar a qualidade das relações patrão-empregado da qualidade de vida do trabalhador.

O estudo realizado pretende avaliar as percepções dos empregados das indústrias sobre a influência das empresas na sua qualidade de vida. Devido a pequena amostragem, este pode ser considerado um estudo preliminar, devendo ser aprofundado para se obter uma análise mais rica deste tema tão complexo e subjetivo.

Uma das formas de se estudar temas subjetivos é por meio da realização de enquetes. Este foi o método selecionado pela equipe para avaliar as percepções de um determinado grupo de pessoas sobre os conceitos de Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho.


Metodologia

Visando delimitar um volume de controle para o estudo, optou-se por realizar uma enquete virtual direcionada a um público conhecido. Assim, foi possível avaliar as percepções de um grupo que pertence a mesma “fatia” social.

A enquete virtual foi realizada utilizando uma ferramenta do Google® denominada “Google Forms”, utilizando-se o site https://drive.google.com.

Universo de pesquisa: Trabalhadores da Indústria, maiores de 18 anos, homens e mulheres, tendo o ensino técnico como grau de instrução mínimo.

Amostragem:
A pesquisa foi enviada para 13 pessoas que foram escolhidas dentro da rede de relacionamento dos integrantes da equipe. O conceito da pesquisa foi explicado e o link para o formulário foi enviado por e-mail.

Entendemos que a enquete realizada dessa forma daria mais liberdade para os respondentes expressarem sua opinião sem nossa interferência. As respostas são anônimas.

O questionário pode ser verificado no Anexo 1

Resultados.

O questionário foi disponibilizado para o público alvo entre os dias 26/04 e 30/04. Neste período, foram obtidas 8 respostas, valor correspondente a 61,5% do público esperado, porém maior que o dobro do mínimo requerido para esta atividade, que era de três respondentes.

Na amostra obtida, 50% dos respondentes eram mulheres. A faixa etária predominante ficou entre 26 e 35 anos (50% do total). Metade dos respondentes estão trabalhando há mais de um ano e menos de três anos e 38% trabalham há mais de 8 anos na indústria. 75% dos respondentes possuem curso superior completo.

A maioria dos respondentes definiu Qualidade de Vida como ter “Saúde e Disposição” (seis respondentes). Dois respondentes definiram como ter “Tempo livre para fazer o que quiser”. Nenhum participante associou a Qualidade de Vida a ter “Dinheiro no bolso”.

Os respondentes deram notas entre 4 e 8 para sua Qualidade de Vida no momento (em uma escala 0-10). Destes, dois respondentes deram nota 8, três deram nota 7 e três deram nota menor ou igual a 5. Não foi possível estabelecer uma correlação estatística entre o grau de instrução e a nota atribuída a Qualidade de Vida.

O Reembolso educação foi um dos benefícios mais citados dentre aqueles oferecidos pela empresa e também foi apontado como sendo um dos que mais contribui para a qualidade de vida dos respondentes. Além desse, foi citado também o transporte, a academia de ginástica, o programa de prevenção ao risco cardíaco e o auxílio creche.

Três respondentes reportaram não receber benefícios da empresa, além do salário.

Dentre os benefícios não oferecidos, porém desejados pelos respondentes, os mais citados foram:
Horários flexíveis – 3 citações
Plano de Saúde – 3 citações
Transporte – 2 citações

A maioria  dos respondentes consideraram que o ambiente de trabalho causa um alto impacto na sua qualidade de vida (63%).

Os participantes consideraram que a Universidade pode contribuir com a melhoria da Qualidade de Vida e Saúde (SQV) no ambiente de trabalho Prestando consultoria para as empresas (50%), promovendo palestras com especialistas abertas ao público ou oferecendo disciplinas humanísticas no currículo dos profissionais da indústria (25% cada). Nenhum respondente considerou que a criação de linhas de pesquisa em nível de mestrado e doutorado sobre o tema SQV venha a contribuir com a melhoria da Qualidade de Vida nas empresas.

Os detalhes sobre o resultado da enquete eletrônica podem ser verificados nos gráficos apresentados na seção “Relatório Analítico”.


Relatório Analítico:


Conclusão

Verificou-se que o acesso a educação é um fator relevante para a Qualidade de Vida  dos respondentes. Podemos inferir que esse acesso dá as pessoas uma perspectiva de melhor remuneração e através dessa um maior acesso aos bens intangíveis associados a Qualidade de Vida, tais como planos de saúde mais completos e academias de ginástica. Os respondentes também sinalizaram que ter horários flexíveis contribui para sua Qualidade de Vida.

Essas respostas convergem com a percepção da maioria de que QV significa saúde e disposição e tempo livre para fazer o que quiser.

Esta enquete teve um público pequeno, porém abriu uma perspectiva para que sejam aprofundados os estudos neste tema, uma vez que várias oportunidades de desenvolvimento para a Universidade foram identificadas.

Os participantes da pesquisa indicaram que a Universidade pode contribuir para a Sociedade fornecendo consultoria para as empresas que desejem melhorar o Ambiente de Trabalho e oferecendo palestras abertas ao público com especialistas na área de Saúde e Qualidade de Vida.

Parte dos entrevistados também sinalizaram que oferecer disciplinas humanísticas para os cursos voltados a profissionais das indústrias pode ajudar a melhorar o ambiente de trabalho. Neste item, podemos verificar que a Unifacs está alinhada com as expectativas da Sociedade.


Por meio desta enquete foi possível verificar as aplicações práticas da disciplina Saúde e Qualidade de Vida. Pudemos perceber a importância desses conceitos no ambiente profissional e perceber que a Universidade pode e deve colaborar para o desenvolvimento de ambientes de trabalho mais saudáveis.

Esperamos ter contribuído para que a Universidade melhore ainda mais suas práticas, buscando aprimorar sua contribuição para a Sociedade.


Referências Bibliográficas

Moraes, F. F. (24 de 02 de 2011). Campus Virtual Unifacs. Acesso em 01 de 05 de 2014, disponível em Unifacs: http://campusvirtual.unifacs.br/moodle/mod/resource/view.php?id=35181
Mussi, R. (2014). http://campusvirtual.unifacs.br/moodle/file.php/1400/aulas/aula_02saude_e_qualidade_de_vida.html. Acesso em 01 de 05 de 2014, disponível em Campus Virtual Unifacs: http://campusvirtual.unifacs.br/moodle/file.php/1400/aulas/aula_02saude_e_qualidade_de_vida.html
OIT. (2012). Conciliação entre Trabalho, vida pessoal e vida familiar. In: J. R. Guimarães, Perfil do Trabalho Decente no Brasil - Um olhar sobre as unidades da Federação (p. 416). Brasília: Escritório da OIT no Brasil.
Wikipedia. (05 de 2012). Wikipedia. Acesso em 01 de 05 de 2014, disponível em Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow
  




quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tragédia de Santa Maria - Um ano de reflexão

O incêndio da Boate Kiss de Santa Maria (RS) fez seu primeiro aniversário em 27 de janeiro de 2014.

Naquela fatídica madrugada, em 2013, mais de mil pessoas dançavam e se divertiam. Dessas, 241 iriam morrer e mais de 600 ficariam feridas. Todos os sobreviventes levariam a marca da tragédia na lembrança.

A vida de milhares de pessoas foi afetada permanentemente. Pais, mães, noivos, namorados, amigos. Toda uma comunidade marcada pela tristeza... Para sempre.

As causas do incêndio foram amplamente discutidas pela mídia e não tenho aqui a pretensão de reabrir o debate. Porém, acredito que a causa raiz desse desastre poderia ser reduzida a uma sentença:  "Falta de uma cultura prevencionista". Em linguagem de Higienista: Faltou Antecipação!

O brasileiro é otimista e isso é bom. Por outro lado, esta característica nos leva a menosprezar os riscos e acreditar que nunca nada vai dar errado. Com isso, negligenciamos aspectos básicos de prevenção de acidentes e doenças. Não só na vida laboral, mas também no cotidiano. Poucas pessoas têm extintores de incêndio em casa. Menos ainda saberiam utilizá-los. Poucas pessoas conhecem os riscos dos produtos químicos que manuseiam ou que dão para seus funcionários domésticos utilizarem. Estamos engordando, sendo mais sedentários que nunca, deteriorando nossa saúde.... Criando problemas que vão nos perturbar daqui há alguns anos... E deixando tudo para resolver quando a doença se manifestar. Para quê se preocupar agora, afinal?

No Brasil, é raro encontrar empresas que tenham seus programas de Higiene Ocupacional e Segurança bem implementados. Com sorte, encontramos isso em empresas maiores. Ainda assim, por força da Lei que tende a ser mais rigorosa com quem pode pagar multas mais gordas. Mesmo nesses casos, muitas vezes vemos que o trabalhador, tendo acesso a informação, sendo treinado e tendo recursos para se proteger, continua negligenciando a si mesmo. Gastam-se horas e horas em treinamentos, em equipamentos de proteção coletiva, em EPIs... E ainda vemos pessoas violando regras básicas de segurança nas empresas.

Não! Não é maldade, nem sabotagem, nem tentativa de suicídio... É a velha crença arraigada em nossa cultura: "Comigo não vai acontecer. Deus protege. Isso é exagero....etc". Na verdade, é uma forma de negar o perigo, na tentativa de fazê-lo desaparecer. Se eu não acredito no risco... então ele não existe.

Como resolver isso? Como mudar essa cultura? Qual é o papel do Higienista neste caso?

A Higiene Ocupacional tem seu foco na prevenção de doenças ocupacionais. Não é foco do Higienista prevenir acidentes. Para isso, precisamos do apoio dos nossos colegas da Engenharia de Segurança do Trabalho, da Segurança dos Processos e dos Especialistas em Prevenção e Combate a emergências.

Porém, não se pode dissociar uma disciplina da outra. Nenhuma é superior, mas todos somos pares no exercício da Prevenção.

No caso de Santa Maria, uma equipe multidisciplinar poderia ter antecipado os riscos e evitado a tragédia. Lembremos que ali também era um local de trabalho. Não para os jovens que dançavam, mas para os garçons, para os músicos, seguranças, caixas, pessoal de limpeza, etc. Todos estavam expostos. Os trabalhadores mais, porque estavam ali todos os dias. Assim sendo, deveria haver um bom programa de Segurança implementado. Deveria haver PPRA. Deveria haver análise de risco. Deveria haver um plano estruturado de emergência...Deveria haver bom senso!

Conforme estudo publicado pela ABHO (ver link ao final da página), um programa integrado de Saúde e Segurança poderia ter evitado essa tragédia. O Higienista contribuiria fazendo o estudo dos agentes químicos presentes no ambiente e participando da escolha da espuma a ser usada como isolante acústico. Conhecendo o material e seus produtos de decomposição em caso de incêndio, teria condições de sugerir outro material menos tóxico. Tudo isso poderia ter sido feito na etapa de Antecipação dos riscos, que deve acontecer na fase de projeto.

Ao especialista em emergência caberia definir salvaguardas adicionais, tais como, planos de emergência, equipamentos de proteção para os bombeiros em caso de incêndio, rotas de fuga bem sinalizadas, sistemas de combate eficientes, etc...Mais uma vez, entra o Higienista, ajudando a selecionar o respirador mais adequado, treinando e orientando os funcionários, a brigada interna (será que havia?) e até mesmo os bombeiros.

Como nada disso foi feito, resta-nos a remediação. E agora? O que aprendemos com essa desgraça? Logo após o acidente houve uma onda de fiscalizações, multas e cobranças sobre as boates do Brasil inteiro. Depois, como tudo neste país, o "fogo" esfriou... O gigante voltou a dormir.

Seria de se esperar que este acidente fosse um marco no Brasil, como foi Bhopal para a Indústria Química mundial. Seria de se esperar que programas de Saúde, Segurança e Meio-Ambiente fossem bem implementados em todos os ambientes de trabalho e não somente nas grandes empresas. Seria de se esperar que os programas de educação fossem revisados, para que nossas crianças aprendessem regras básicas de segurança desde cedo. Como se comportar em situações de emergência, por exemplo.

Seria de se esperar.... E seguimos nós... Esperando.... Até quando?

Para saber mais:
Artigo Científico - ABHO

sábado, 6 de abril de 2013

O Trabalho, a Física e os Jesuítas

A relação homem-trabalho sempre me intrigou.

Desde pequena, ouço minha mãe dizer que trabalho é sacrifício. É dor. É longe. É difícil. É mal pago...

Meu pai não reclamava de nada. Parecia gostar de trabalhar. O trabalho para ele era um meio de interagir com comunidade. Aliás, esse foi o propósito de toda a sua vida. Servir a sua comunidade. Ele nunca trabalhou para si mesmo. Tudo o que fez, foi pelos outros. Remuneração para ele nunca teve muita relevância. O mais importante é que outros tivessem a mesma oportunidade que ele. E assim ele viveu e morreu. Construindo um legado para os outros.

Com esse background iniciei minha vida profissional. Gostando de trabalhar, querendo que meu trabalho fosse útil à sociedade, mas também trabalhando duro, longe de casa...difícil...cansativo...sacrificante.

Isso começou a mudar quando conheci uma Higienista, em uma Indústria Química em que trabalhei. Ela me disse que o trabalho deveria ser adequado ao homem. Que deveria haver conforto no ambiente de trabalho. Que deveria ser prazeroso trabalhar e que Qualidade de vida é importante para a produtividade.

Ela arrumou meu posto de trabalho junto comigo e me livrou de dores horríveis que sentia no pescoço. Minha tela estava mal ajustada e eu não sabia. Na orientação ela me ensinou como corrigir a ergonomia da minha sala e me disse que era meu direito ter o mínimo de conforto para trabalhar.

Eu fiquei me perguntando porque as empresas se preocupariam com isso. Que diferença faria para o empresário se eu tinha ou não dor no pescoço, desde que eu entregasse os relatórios bem feitos e nos prazos corretos?

Lembrei do cursinho pré-vestibular e de como o professor de física me fez nunca mais esquecer da equação do trabalho: T = Fxd (Trabalho é foda!!!).

Fomos educados por jesuítas, e por isso, aprendemos desde a nossa colonização, que devemos sofrer para ganhar o sustento. Foi assim desde Adão e Eva:  "Você ganhará o pão com o suor do seu rosto".

Deus ajuda a quem cedo madruga. Como acha que vai se desenvolver trabalhando só de 8 às 5? O que você faz de meia-noite às 6Já vai, tão cedo?  Vai tirar férias... de novoE lá se vão as piadinhas corporativas infames....

O trabalho demanda esforço sim. Como diz a física, Trabalho é força x deslocamento. O objetivo maior do trabalho é avançar de um ponto a outro. Logo, de nada adianta fazer muita força e não sair do lugar.

Aliás, o trabalho mais efetivo é aquele que com menor força desloca mais... Daí fico me perguntando se trabalhar 14, 16 horas por dia resulta mesmo em deslocamento.... Será esse um trabalho realmente efetivo?

Ou será que distribuindo melhor as tarefas não conseguimos mais resultado (deslocamento) com menos força?

Tomei gosto pelo assunto e decidi estudá-lo melhor. Nesse tempo, tenho aprendido que o ambiente de trabalho precisa ser saudável. Que as pessoas têm o direito de serem bem tratadas. Que não é aceitável deixar ninguém passar calor, ou frio, ou ficar exposto a ruído ou a risco de acidentes. Que extensão de jornada (mais força) não garante mais resultado (deslocamento). Ao contrário, além de reduzir os resultados ao longo do tempo, mina a saúde das pessoas e pode gerar acidentes.

Podemos aprender muito com a Física e com os Jesuítas. Podemos aprender mais ainda com o bom senso.
Por exemplo: O que faz as pessoas aceitarem uma condição de trabalho como essa ilustrada na foto abaixo?



Será mesmo falta de percepção de risco, como sempre aparece nas análises de acidentes?

Ou será que a mãe deles também lhes ensinou que deveriam aceitar as condições impostas pelo patrão, porque afinal era ele quem pagava seu salário?

Quando trabalhadores como esses são entrevistados, em geral eles respondem que "é assim mesmo". Que estão acostumados. Que também acham perigoso, mas que não tem outro jeito de fazer...

É aí que entram os profissionais de Segurança do Trabalho, que a exemplo da Higienista que mencionei no começo do post, precisam ter a sensibilidade de, ao invés de simplesmente punir o desvio, orientar o trabalhador.

Ainda há muito o que fazer. O Brasil está crescendo e estamos numa fase de emprego pleno. As práticas de Segurança das empresas melhoraram muito nos últimos anos e isso é muito bom.

Além disso,  devido a escassez, a mão de obra especializada está ainda mais valorizada. Com isso, se conseguirmos educar os trabalhadores, eles serão agentes de transformação na sociedade. E, sem gerar conflitos, naturalmente não aceitarão mais condições como a mostrada na foto.

E vocêComo tem se relacionado com seu trabalho? Como tem influenciado para melhorar o ambiente em que está inserido?

Fique à vontade para contribuir com o conteúdo do nosso blog.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Blog do Higienista: Vamos falar de Meio Ambiente

Blog do Higienista: Vamos falar de Meio Ambiente: Hoje pedirei licença para falar de Meio-Ambiente. Apesar do Blog ter um foco maior em Higiene Ocupacional, não vejo porque evitar outr...

Vamos falar de Meio Ambiente


Hoje pedirei licença para falar de Meio-Ambiente.

Apesar do Blog ter um foco maior em Higiene Ocupacional, não vejo porque evitar outros temas correlatos ou não, desde que tenham utilidade.

Falaremos aqui de Higiene Ocupacional, mas também de Segurança do Trabalho, prevenção de grandes acidentes e por que não, de Meio Ambiente.

Estou de férias e por isso, decidi passear para relaxar. Contudo, ainda que fora do trabalho não consigo olhar para um andaime sem verificar se há proteções contra queda. Nem ver um pintor trabalhar sem observar que tipo de tinta usa e se está utilizando proteção respiratória adequada. Ou passar no supermercado sem reparar na ergonomia das atendentes.

Tampouco consigo ver resíduos maltratados sem ser tocada por eles.

Não se trata de paranoia e eu não sou workaholic. São coisas de quem gosta do que faz.
Pois bem, durante meus passeios gosto de observar como dispomos os nossos resíduos. 

Procuro sempre ter uma sacolinha na bolsa e não raro, percebo meus bolsos cheios de papel de bala, embalagem de doces e comprovantes de compra no fim do dia. Não tenho coragem de jogar no chão. E não deixo quem está comigo fazer isso.

Latinha pela janela? Parte meu coração. Sou boazinha? Negativo! Apenas sei das consequências de pequenas atitudes. Para o bem e para o mal.

A todo instante vejo pessoas reclamando do Governo. Ah, a corrupção. Ah, o descaso. Ah, o mensalão... Ah... o lixo nas ruas...

É tudo verdade. O lixo, a corrupção, o mensalão.. Ok, mas na hora de votar quem pode justificar a ausência, não pensa duas vezes...

Nessas andanças por aí percebi que muitos dos nossos problemas não são provocados pelo Governo. Observem nas fotos abaixo e digam se não tenho razão...

               Que Deputado obrigou o povo a deixar a baía de Guanabara assim?



Que prefeito fez essa senhora deixar a fralda descartável do seu filho em plena Praia da Tartaruga - Buzios?



Quem foi o Presidente da Republica que deu uma festa regada a Veuve Clicquot e depois jogou o lixo nos fundos do hotel em Buzios????



E a praia de Vilas do Atlantico - Bahia. Quem poluiu?



Francamente! Vamos parar de reclamar e fazer o que está na nossa mão!

Essas fotos não foram tiradas na periferia, onde alguém poderia atribuir o acúmulo  de lixo a falta de educaçao e ao descaso do Governo.

Não! Nesses locais havia lixeiras disponíveis e a coleta acontece regularmente.

Não! Essas pessoas estudaram em boas escolas. Têm instrução. Têm dinheiro. Têm informação. Só não têm civilidade...

Vejamos algumas pequenas coisas que podemos fazer e que não dependem do Governo: 


  •      Escrever em um blog ou no facebook ou no twitter sobre o assunto e tentar influenciar as pessoas a mudar de atitude.
  •      Compartilhar fotos, reportagens, ideias legais que sejam publicadas nos meios de comunicação ou nas redes sociais.
  •      Consumir de forma consciente, evitando produtos que gerem muito resíduo. Rejeitar embalagens desnecessárias. Só pedir sacolinha se for realmente necessário. Dispensar caixas e envelopes que só servem de enfeite. Reutilizar embalagens de presentes.
  •      Andar com sua própria sacola de lixo para não ter que utilizar a seguinte desculpa infame: “Joguei no chão porque não havia lixeira”.
  •      Promover a coleta seletiva em seu condomínio, rua, bairro ou escola.
  •      SEMPRE descartar seu resíduo em local adequado. Lembrar de acondicionar vidros quebrados, agulhas ou outros materiais perfuro-cortantes em caixas de papelão, para proteger os coletores de resíduos. Lembrar que é um ser humano que vai recolher meu lixo.
  •       Se encontrar resíduos fora do lugar e puder remover, remova! Sua mão não vai cair!
  •      Promover caminhadas ecológicas com amigos e colegas de trabalho, para recolher resíduos das praias. Neste caso, procure usar luvas para não se contaminar. Pode ser aquelas de PVC que são vendidas no supermercado.
  •      Promover palestras sobre o Meio Ambiente nas escolas dos filhos.



A rua, a praça, a praia, o mundo. Tudo pertence a nós. Não são do Governo. São nossos. Se não cuidarmos, quem cuidará?

A propósito, o Governo também é nosso. Só nos podemos mudá-lo.

Vamos refletir sobre isso?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Boas Festas


Caros amigos leitores.

Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações.

Tudo com muita Segurança, Saúde, Sustentabilidade e Prosperidade.

Não abuse do álcool e se beber, não dirija!

Feliz 2013!





Curiosidade: As flores da foto são conhecidas no Sul do Brasil como “maria-mole”. Elas costumam florescer no mês de outubro.

O povo lá do Sul diz que quando tem muita é porque a safra vai ser boa. Desse modo, a florzinha foi associada a riqueza e boa sorte.

Apesar de tóxica, tem propriedades terapêuticas para cura de feridas, queimaduras e alergias. É também uma das melhores plantas melíferas.





quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Os conflitos de geração e a álgebra. Que variável você é? PARTE 1

Os conflitos de geração e a álgebra. Que variável você é?

Este texto é um mosaico construído a partir de fragmentos extraídos do blog Histórias para ler no café e de uma contribuição à disciplina de Comunicação da Unifacs.

Está centrado nas percepções sobre a forma de se comunicar de engenheiros químicos de diferentes faixas etárias, com base em observação e entrevistas com profissionais dessa área.

Dividir as pessoas em faixas etárias, atribuindo-lhes características diferentes conforme sua geração pode ser útil para compreender as relações humanas. Porém, é preciso ter cuidado para não criar rótulos que limitem nossa percepção das nuances que existem em cada pessoa.

Nossa forma de ver o mundo, nossos sonhos, desejos e ambições dependem não só da época em que nascemos, mas também, e quem sabe, principalmente, dos estímulos e das pressões a que fomos submetidos durante toda a nossa vida.

Há alguns aspectos que de fato diferenciam os grupos etários. Porém, não é possível generalizar. Observam-se características mistas de uma e de outra geração, especialmente naqueles indivíduos que nasceram na transição entre duas fases. Além disso, experiências individuais, família, escola, livros que foram lidos (ou não) causam diferenças significativas entre as pessoas de uma mesma geração.

De uma maneira geral, as pessoas hoje ativas no mercado de trabalho, estão divididas em três gerações: Os baby-boomers, a geração “X” e a geração “Y”.

Os denominados “baby-boomers” são aqueles indivíduos que nasceram logo após a Segunda-Guerra mundial, mais precisamente entre 1945-1960 (Wikipedia). Eles têm hoje entre 52 e 67 anos, mas foram jovens nas décadas 1960 e 1970. Uma época de muito medo e repressão. Guerra fria, ditaduras na América Latina, austeridade. Essa geração buscava a estabilidade financeira e a aquisição de bens duráveis, como casa, carro e telefone.

No Brasil, a classe média estudava para fazer concursos. O objetivo maior de um Engenheiro Químico era trabalhar na Petrobrás. Ser estatutário. Ter um emprego estável e para toda a vida. Nada de muitas mudanças. Plano de carreira claro, bem definido e baseado em tempo de experiência.

Eles foram jovens durante os anos de chumbo. Aqueles que tinham mais acesso a informação e recursos financeiros eram os contestadores. Foram à rua contra os militares. Alguns, entraram para a Luta Armada. Outros, criaram o Tropicalismo. Outros ainda, viraram hippies ou fugiram do país. Muitos fumaram maconha e pregaram o amor livre. Sobre eles, se dizia: “Se você se lembra dos anos 60 é porque não estava lá (Super Interessante, 2004)

Havia também o “lado B”. Aqueles que tinham um senso de dever muito forte. Obedientes, chamavam os chefes de “senhor” e não aceitavam receber ordens de mulheres. Aliás, eles viram as mulheres entrarem no mercado de trabalho e sentiram muita dificuldade de aceitar isso.

Os pobres, em geral, muito disciplinados, não se atreviam a confrontar a autoridade. “Engoliam sapos” e suportavam condições de trabalho adversas para defender o “pão de cada dia” e para criar melhores condições para seus filhos. Em geral, tinham pouco estudo, mas exigiam muito de seus filhos. Esses tinham que estudar, ir para a faculdade, para ter uma vida melhor. A frase mais dita por esses pais era: “Eu não tive oportunidade, mas meu filho vai ter”. Eram pais castradores. Palmadas e castigos eram muito normais e faziam parte da dura missão de criar os filhos.

Aqueles que foram bem sucedidos no trabalho, hoje estão em posições de liderança. São diretores, presidente e conselheiros de grandes empresas. Os demais, ou se aposentaram precocemente por invalidez, ou estão contando disciplinadamente os dias para se tornarem pensionistas do INSS. Porém, a maioria deles pode se orgulhar de ter construído algo para deixar aos seus filhos.

É visível que a origem social e o consequente acesso a educação diferenciou significativamente as pessoas dessa geração. Talvez, ainda mais que nas gerações posteriores. Contudo, pobres, ricos ou de classe média, os baby-boomers tem como pontos em comum o pragmatismo e uma certa dose de maniqueísmo (em inglês, visão “Black or White”). Essa característica foi determinante para o conflito gerado com a geração seguinte. A chamada “Geração X” conhecida também como “Geração Coca-Cola” ou “Yuppies”.

Essa turma, em geral, valoriza o título, o currículo, o status. Eles escalaram a pirâmide social, graças ao trabalho dos seus pais e aos seus próprios esforços. Diz-se deles que são resistentes a inovação e a tecnologia (Jornal da Globo, 2010). Porém, isso é muito relativo. Como são curiosos e em geral, estudiosos, são capazes sim de se adaptar e adotar as novidades. Quando jovens, questionaram muito a geração anterior. Formaram novos valores. Contestaram o certo e errado. Criaram a “gray zone” em contraponto à visão quadrada dos seus pais e bagunçaram as estruturas da sociedade e da família. Casaram, divorciaram e casaram novamente.

A geração “X” adolescente, viu a abertura política, votou para Presidente, conheceu a AIDS, viveu a crise do comunismo, a morte da ideologia e a queda do muro de Berlim. Passou muito aperto financeiro. Foi assolada pela inflação e trocou de moeda ao menos três vezes. Isso fez ruir a visão maniqueísta dos seus pais. O “sim, sim / não, não” deu lugar ao “depende”... “ou não”. A ética, os valores morais e religiosos passaram por uma forte reciclagem.  

Os “Yuppies” criaram o conceito do “workaholic” – viciado em trabalho. Dedicam-se muito a profissão e valorizam o “ter” sobre o “ser”. Fazem reserva, investimento, aquisições. Ainda carregam o fantasma da “crise” e o medo de perder suas conquistas. Símbolos de poder como canetas Montblanc, carros esportivos e equipamentos eletrônicos de última geração, mesmo que não saibam muito bem como utilizar, não podem faltar na bagagem dessa turma.
Essa geração nasceu entre 1960-1980. Hoje, na faixa entre 30-50 anos estão chegando ou saindo do auge das suas carreiras. Aliás, é uma geração orientada para a carreira. Adiaram casamentos, planos de ter filhos ou sacrificaram relacionamentos em prol do trabalho. Claro que há exceções,  como sempre. Falamos aqui de um padrão predominante. Conheço "X's" muito bem casados!

O "X" médio busca incessantemente enriquecer o currículo e o bolso. A essa altura da vida, a maior parte já está no segundo ou terceiro relacionamento. Muitas vezes também na segunda graduação ou pós. Alguns, nem se casaram. Abriram mão do lazer, dos amigos e dos amores, se o trabalho assim exigiu.

Estudam muito, são curiosos e inquietos. Tem desejo de alcançar cargos elevados, mas querem consistência. Seu maior conflito com a geração seguinte é a pressa e a superficialidade dessa última, contra o desejo de consolidação da primeira.

Está sendo sucedida rapidamente pela geração “Y”. Impaciência, velocidade, e uma boa dose de atrevimento são a tônica dessa nova era. Para ilustrar a diferença entre esses dois grupos etários, reproduz-se a seguir uma conversa real entre duas mulheres, representantes típicas das gerações “X” e “Y”:

Cenário: Intervalo entre duas aulas de uma Universidade Privada em Salvador. 

“X” tem graduação e mestrado e está cursando o MBA. “Y”, pensa em começar uma segunda graduação, mas decidiu ingressar primeiro no mesmo MBA de “X”.

Segue o diálogo:
“Y”: Gostaria de pegar uns conselhos com você, que tem mais experiência que eu.
“X”: Ok. Podemos marcar um café um dia desses e conversar com calma.

“Y”: Não dá. É urgente. Pode ser agora?

“X”: Está bem. Vamos ali para aquele canto, assim, ninguém fica prestando atenção na conversa. 

Após encontrarem um local mais silencioso:

“X”: Então, o que há de tão urgente?

“Y”: Estou aflita. Já estou há dois anos como Engenheira na empresa em que trabalho e ainda não fui promovida a Coordenadora. Acho que devo estar fazendo alguma coisa errada.

“X”: Há quanto tempo está formada?

“Y”: Três anos, amiga!!! Achei que entrando no MBA as coisas iam acelerar, mas até agora nada.

“X” rindo,  abraça a amiga e diz: - Minha querida, você tem 3 anos de formada e só está há dois anos como engenheira!! Calma, criatura! Para se tornar uma líder, é preciso um pouco mais de maturidade. Você precisa se consolidar! Já enfrentou uma crise em seu trabalho? Já teve que tomar decisões difíceis?

“Y”: Não. Ainda não. Mas, já substituí minha chefe duas vezes nas férias dela e me entendo bem com a equipe. A mulher é uma incompetente. Ninguém gosta dela, e a gerente que é nossa chefe gosta de mim. Ela disse que vou chegar lá, mas acho que está demorando muito. Dois anos já é muito tempo! Já sei tudo sobre o trabalho. Sei que estou pronta agora. Tenho medo que o tempo passe e eu perca a oportunidade.

“X” tentou aconselhá-la a ter calma e não sabemos se para encerrar a conversa ou porque estava convencida a esperar, “Y” agradeceu os conselhos e ambas foram de volta para a sala de aula.

Nos meses seguintes, “Y” continuou insistindo com seus objetivos e em menos de um ano se tornou coordenadora, como queria. Agora, espera que as demais oportunidades não demorem tanto. (!)

Essa é uma característica típica da geração “Y”. Seu tempo é agora. Experiência, tempo na função, lastro, são palavras que não fazem sentido para eles. Quando aprendem uma habilidade, acham que já estão prontos a mudar para outra. Usualmente não se prendem muito a um tema ou trabalho. Não “vestem a camisa” da empresa. São bastante individualistas e tem pressa. Muita pressa. Não aceitam “não” como resposta e são bastante corajosos. Dizem abertamente ao seu líder ou a alguém de cargo superior o que querem. Mesmo que seja a sua vaga!

O desafio atual da gestão dos recursos humanos é equilibrar os três diferentes “midsets” (modos de pensar) que hoje dominam o mercado de trabalho. Como o baby-boomer pode compreender a necessidade de reconhecimento individual que o “X” almeja? Como “X” pode aceitar que “Y” deseje seu cargo e que o solicite diretamente ao seu chefe, o baby-boomer? E este, como se acostumar com tanta tralha tecnológica que chega todos os dias. Ele que levou anos para se acostumar com a chegada do computador, agora vai ter que mudar de novo de sistema operacional. E do PC para o laptop. E deste para o netbook, que agora ultrapassado, dá lugar ao I-Pad!

Como harmonizar esses quereres, fazeres e poderes?
Como criar um ambiente de trabalho psicologicamente saudável com tantos estímulos tecnológicos?

E o que a Higiene Ocupacional tem a ver com isso?

Convido vocês a refletir sobre isso.
Continuaremos a reflexão na parte II.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Mais uma norma em consulta pública - NR-15

Caros colegas,
Temos mais uma Norma Regulamentadora em consulta pública.
Trata-se da famosa NR-15 - Atividades e operações insalubres. O texto básico está no site do Ministério do Trabalho. Clique no link abaixo para conhecer a proposta.
NR 15 consulta pública


Principais mudanças:

  • O texto básico foi todo alterado.
  • Deixa-se de usar o termo Limite de Tolerância (LT) e passa-se a adotar o termo VRO (Valor de referência de exposição ocupacional).
  • A nova revisão deixa claro que exposição a valores abaixo do VRO não garante a prevenção de efeitos adversos a saúde de todos os expostos em decorrência de susceptibilidades individuais. 

Os anexos não foram revisados ainda. Estou curiosa para saber o que vem por aí,...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Minicurso "Empregos Verdes"

Esta semana tive uma experiência gratificante.

No período de 20 a 24 de agosto de 2012 ocorreu a III Semana de Engenharia Química da UFBA e eu pude ministrar um minicurso nos dias 21 e 22.

O evento foi muito bem feito. Os alunos da comissão demonstraram maturidade, senso de organização e agilidade na resolução dos problemas. Além de serem "super" bem educados. Trataram tantos os professores convidados como os estudantes com respeito e consideração. 

Os alunos que assistiram o minicurso tiveram um comportamento exemplar. Trouxeram suas experiências e participaram ativamente de todas as discussões. Essa turminha tem futuro!

O minicurso apresentado teve como tema a Segurança dos Trabalhadores no contexto da Sustentabilidade.

Sustentabilidade é o termo "da moda". Muito se tem falado sobre reaproveitamento de materiais, economia e geração de energia limpa, reciclagem de resíduos, etc.

Contudo, é preciso chamar a atenção para uma espécie muito sensível do nosso ecossistema: O bicho "homem". No minicurso, discutimos os principais agentes de risco aos quais os trabalhadores estão expostos bem como algumas medidas de controle e proteção.

Mais importante que controlar e proteger é evitar a exposição. Abordamos esse assunto e concluimos que um emprego realmente "verde" é aquele em que as exposições aos agentes de risco estão tão controladas que os trabalhadores não precisam de EPI. As relações de trabalho são saudáveis. As pessoas são produtivas, vivem satisfeitas e tem orgulho do que fazem.

Se além de tudo isso, a empresa ainda se preocupar em preservar o meio-ambiente e desenvolver uma boa relação com a comunidade, aí então teremos chegado ao sonho de se construir ambientes de trabalho realmente saudáveis, seguros e sustentáveis!

Abaixo vocês encontrarão o resumo do minicurso e um link que direcionará para os slides apresentados.
O curso foi preparado com apoio de diversos profissionais da área de Saúde, Segurança e Higiene Ocupacional.

Acesso aos slides: http://www.slideshare.net/lucyhelena

Minicurso

A Segurança do Trabalhador no contexto da Sustentabilidade – Construindo Ambientes de Trabalho seguros, saudáveis e sustentáveis.

Empresas e empregos  verdes
Como poderíamos definir uma “empresa verde”?  Seria aquela que realiza reciclagem dos seus resíduos? Seria aquela que usa fontes renováveis de energia? Ou seria aquela que opera em ciclo fechado, reaproveitando toda a água do seu processo? Seria tudo isso junto.
Mas.... seria só isso?
E o que dizer dos trabalhadores dessas ditas “empresas verdes”?
De acordo com as mais recentes recomendações da OIT (Organização Internacional do Trabalho), um emprego “verde” deve ser também “decente”.  Por decência no ambiente de trabalho, podemos inferir que este deve ser no mínimo salubre e seguro. A salubridade hoje não se limita ao controle das exposições a produtos químicos, mas passa também por questões de ergonomia física, organizacional e cognitiva.
Neste minicurso serão apresentadas noções dos principais aspectos da Segurança do Trabalho, da Ergonomia e da Higiene Ocupacional relacionados a construção de Ambientes de Trabalho seguros, saudáveis e sustentáveis.
Ao longo do curso o serão promovidas discussões sobre o papel do Engenheiro e suas responsabilidades na promoção da saúde e segurança do trabalhador, na construção de processos produtivos realmente sustentáveis.
Programação:
·         21 e 22 de agosto – 18 às 21 horas
Referências:
·         Notas de aula – Disciplina ENG 295 – Higiene e Segurança do Trabalho – UFBA/2012-01
·         Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego - http://portal.mte.gov.br/portal-mte/


domingo, 27 de maio de 2012

NR 24 está em consulta pública

Caros leitores,
A NR-24 - Condições Sanitárias e de conforto nos locais de trabalho - está em consulta pública

Acessem o site do Ministério do Trabalho para conferir:
http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Boas notícias para os Químicos

Boas notícias para Químicos que trabalham com Segurança e Saúde Ocupacional.
Temos ótimos profissionais da Química, muito bem qualificados, atuando como Higienistas, Coordenadores de equipes e consultores na área de SSO. Porém, faltava o reconhecimento público e Legal para exercer essa bela faceta da nossa profissão.

Parabéns, CFQ! Reconhecimento tardio, porém pertinente!


Resolução 245 de 20 de janeiro de 2012
http://www.cfq.org.br/rn/RN245.htm



Art. 1º– São atribuições dos profissionais registrados em CRQs citados na Resolução Normativa nº 240/11 do CFQ (Químicos, Químico Industrial, Engenheiro Química, Engenheiro de Segurança e Tecnólogo de Segurança do Trabalho), além daquelas explicitadas na referida Resolução e na Resolução Normativa nº 237/11 do CFQ, as atividades relacionadas a seguir, relativas à Segurança do Trabalho na área de Química:

1– Vistoriar, emitir relatórios, pareceres periciais e laudos técnicos, de áreas insalubres e de periculosidade; indicando as medidas a serem adotadas, de controle sobre o grau de exposição a agentes químicos, físicos, biológicos e ergonômicos.

2– Supervisionar, coordenar e orientar os serviços de Segurança do Trabalho, referentes à neutralização dos riscos mencionados no item anterior.

3– Supervisionar as condições de segurança relativas às instalações e equipamentos, com vistas a prevenir quanto aos riscos químicos e de evitar ou minimizar a poluição do ambiente de trabalho.

4– Acompanhar os processos da aquisição e expedição de produtos químicos e de equipamentos, cuja manipulação, armazenamento, transporte ou funcionamento possam apresentar riscos de poluição ou contaminação do ambiente de trabalho.

5– Assessorar na elaboração de projetos e reformas de instalações e equipamentos na área da química, identificando os pontos de riscos, e indicando os dispositivos de segurança individuais e/ou coletivos, inclusive quanto a pressões e temperaturas.

6– Elaborar plano de combate a incêndio e de sistema de ventilação em ambiente de trabalho, na área química da Segurança do Trabalho conforme NR–23.

7– Elaborar programas e políticas de prevenção na área da Segurança do Trabalho, estabelecendo diretrizes, com vistas a evitar as DOENÇAS PROFISSIONAIS, e orientando os trabalhadores quanto aos riscos químicos profissionais e sua prevenção.

8– Executar as Análises químicas de poluentes do Ar-Ambiente do Trabalho e do tóxico original e seus metabólitos, no trabalhador, encaminhando os resultados das mesmas, com parecer conclusivo, ao Médico do Trabalho

Resolução 226 de 24 de fevereiro de 2010


http://www.cfq.org.br/rn/RN226.htm


Art. 2º - Constituem também atribuições dos profissionais da Química, as análises de controle de qualidade, a fabricação e o tratamento em que se apliquem conhecimentos de Química, “ex vi” do art. 34 1da CLT, de produtos e serviços como:
a) sal de cozinha, águas naturais (água do mar, rios, córregos, lagos, etc.);
b) águas residuárias industriais, domésticas e cloacais de qualquer origem;ar ambiente urbano e industrial;
c) águas de hemodiálise e os sais utilizados em sua preparação;
d) alimentos naturais, como o leite, o ovo, frutos, etc.;alimentos produzidos industrialmente;
e) produtos saneantes, inseticidas, raticidas, antisépticos e desinfetantes;
f) fabricação de produtos dietéticos e alimentares;análises químico-metalúrgicas;
g) segurança do trabalho, em área de sua especialidade.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Elaboração do mapa de riscos

O objetivo desse módulo é construir um mapa de riscos com base nas orientações da Portaria número 25 de 29 de dezembro de 1994 - Anexo IV

Vamos relembrar alguns conceitos:
* Risco x Perigo
* Agentes Ambientais
* Elaboração do Mapa de Riscos

Ao final do módulo é esperado que:

  • As definições de risco e perigo estejam claras
  • Os Agentes Ambientais sejam conhecidos e compreendidos
  • Um mapa de riscos simplificado seja elaborado com base nos conceitos aprendidos.
O material de apoio está postado no slide share: http://www.slideshare.net/lucyhelena/modulo-6-reconhecimento-de-riscos

As planilhas serão construídas em sala de aula e serão compartilhadas por email.

domingo, 6 de maio de 2012

Atividades Insalubres - NR 15

Caros leitores,
nosso resumo sobre atividades insalubres já se encontra publicado no slide share. Entre nos links e confira!
Parte 1
Parte 2
Parte 3


Tenham todos uma ótima semana com muita Saúde e Segurança!